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Novo enquadramento da Comunidade de Camarate!

Em 1998, numa reunião de membros da Congregação na cidade francesa Poitiers, onde a Congregação foi fundada (Natal de 1800), o provincial de Chile, Eduardo Cotapos, fez uma exposição sobre a vida religiosa em que abordou as mudanças que se deram no século XX.

 

Essas mudanças talvez não tenham sido tão notáveis para não religiosos, pessoas que não eram ou não são membros de nenhum instituto religioso mas muito notáveis para os dentro duma ou doutra ordem ou congregação. O conferencista falou sobre três fases que se manifestaram na vida religiosa: a dependência, a independência, a interdependência.

 

A 1ª fase demonstrava uma grande dependência do superior: esse é que organizava as comunidades, destinava os membros para uma ou outra comunidade e para um determinado trabalho.

 

A 2ª fase marcou-se por um protesto contra a dependência e os religiosos ganharam a sua independência com consequências inerentes a ela como  p. ex. religiosos que procuravam o seu próprio trabalho e o seu próprio estilo de vida.

 

A 3ª fase conheceu a reação e intitulava-se como a interdependência dos religiosos na comunidade, das comunidades entre si na congregação e de províncias duma congregação entre elas.

 

Esta introdução, que pode parecer longa, serve para situar o que foi decidido há quase dois anos e que teve a sua conclusão na semana depois de Natal, em Sevilha: a ereção duma nova província com o nome de Província Ibérica dos Sagrados Corações. Esta ereção significa um novo enquadramento da comunidade de Camarate.

 

Como é sabido, a Congregação, nas suas estruturas de governo, divide-se em províncias. Atualmente, ainda existem 23 agrupamentos com um total de 816 membros, contando com a comunidade do governo geral em Roma. Na sequência da interdependência acima descrita, a decisão sobre a ereção duma só província na Península Ibérica teve o seu “remate” nessa semana em Sevilha onde 31 membros se reuniram no 1º capítulo provincial. A Congregação, já no seu capítulo geral de 1994, estudou as consequências da diminuição do seu pessoal nos vários continentes e deu ordens ao novo conselho geral para tomar medidas sobre a reestuturação dela mesma.

 

Em relação à presença da Congregação na Península Ibérica, em 1994, ela estava dividida em três províncias, a de Espanha, de Andalusia e da Holanda, cada uma com a sua história e os seus costumes; pode-se dizer: cada uma tinha a sua identidade própria acentuando certos aspetos de convivência, de hábitos, de estilos de vida religiosa e de relacionamento entre os seus membros. Cada província com a sua vida própria embora da mesma inspiração; a holandesa presente em Portugal, a partir do ano de 1939 quando ela assumiu a responsabilidade da presença congregacional neste “jardim à beira-mar plantado”, cresceu e espalhou-se pelo país mas diminuiu, no correr dos anos.

 

Em 1974, essa presença limitou-se ao Patriarcado de Lisboa e em 2006 deu-se a mudança de província: as duas comunidades, ainda existentes nesse ano, passaram a pertencer à província de Espanha. Esta e a de Andalusia uniram-se agora neste 1º Capítulo Provincial de Dezembro passado, presidido pelo superior geral, Xavier Ossorio, que assim se tornou a província mais numerosa: 114 membros: 95 sacerdotes, 12 irmãos de votos perpétuos e 7 de votos temperários.

 

O novo governo foi eleito e vários documentos discutidos, aceites e promulgados: novos estatutos, novo projeto de vida religiosa e apostólica, pastoral juvenil e vocacional, paróquias, educação (a nova província tem seis grandes colégios!), etc . Muito se trabalhou nesse capítulo fundador e o resultado mostrou que a preparação feita, no correr de ano e meio, nas várias comunidades, espalhadas pela Península Ibérica, valeu a pena.

 

As mesmas comunidades inspiram-se nestes documentos para os seus serviços à Igreja. São orientadores e caminhos que, sem dúvida, darão fruto na vivência e no crescimento do Reino de Amor que Jesus instaurou.

 


 Biografia de Damião lançada em Setembro

 

“Padre Damião, Um coração de Ouro” é o mais recente livro da colecção “Os «Grandes da História” da editora Paulinas. Nesta Colecção podemos encontrar “biografias de homens e mulheres que marcaram a História da Humanidade... E o coração de inúmeras pessoas”.

 

“L’homme au coeur magnifique. Le Père Damien” é o título original da obra de Pierre Crodys, sendo que a tradução portuguesa de Moreaes Leal foi lançada em Setembro.

 


D. José Policarpo exalta trabalho de Damião de Molokai

 

         

O Cardeal patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, celebrou no passado dia 18 de Outubro, pelas 10:30, na Igreja da Charneca, em Lisboa, uma eucaristia comemorativa do Dia Mundial das Missões, onde recordou a recente canonização do Padre Damião de Veuster.


Mais conhecido como Damião de Molokai por ter dedicado 16 anos da sua vida como missionário junto dos leprosos da ilha de Molokai, no Havai, Damião morreu leproso em 1889, com apenas 49 anos.


A Eucaristia que teve a duração de uma hora, contou com a presença de quatro padres e um irmão da Congregação dos Sagrados Corações, vários acólitos e o grupo coral da paróquia, que em conjunto embeberam a Igreja repleta de fiéis com o espírito missionário que se celebrava.


D. José Policarpo durante a celebração salientou a importância dos missionários e criticou o egoísmo que existe na nossa sociedade, dizendo que hoje em dia ninguém pensa nos outros. Por fim, relembrou que «os santos são modelos de vida cristã» e referiu Damião de Molokai como um modelo a seguir, uma vez que «mesmo mediante as exigências da missão, não hesitou em arriscar a própria vida».

 


O primeiro santo da Congregação!

 

Os membros da Congregação, cerca de 1700 pessoas, espalhadas por todos os continentes, viveram com alegria a canonização do seu primeiro santo. Mas como dizia o Cardeal Godfried Danneels (nascido em Flandres  mas actualmente Bispo em Bruxelas), na celebração ocorrida a 12 de Outubro, na Igreja de S. João de Latrão, em Roma: «Damião é agora um santo de toda a Igreja mas para nós já o era há muito tempo».


Na Congregação Damião foi sempre visto como um santo missionário, exemplo de entrega aos outros, como se espera dum cristão, e seguidor de Jesus Cristo. Em todo o mundo ele foi apresentado como tal e até o presidente dos Estados Unidos falou nele em público, pois tendo sido criado nas ilhas Havai, ouviu falar dele na sua juventude.


Um grupo de 32 pessoas vindo de Lisboa, Porto e Oliveira de Azeméis dirigiu-se a Roma e participou, no dia 10 de Outubro, na oração que a Congregação organizou na Igreja de Santa Maria sopra Minerva, que se encheu por completo com os 373 membros e muitos amigos.


É próprio da Congregação adorar Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar. Damião encontrou na Eucaristia a sua força para se dar aos outros com radicalidade como o próprio Jesus e os seguidores de hoje não querem ficar atrás, como tal, criou-se imediatamente um ambiente familiar que mostrou como os membros são unidos, se conhecem ou reconhecem no mesmo espírito.


No dia 11, o papa Bento XVI canonizou, dentro da basílica de S. Pedro, uma fundadora duma congregação religiosa e quatro homens, entre os quais o Damião, cujo retrato figurou na fachada desta grande Igreja, no meio dos outros quatro. Muita gente teve que ficar fora sob um bom sol a oferecer boa temperatura, podendo acompanhar através de grandes ecrãs o que se seguia dentro da basílica.


Uma vez que um santo duma Igreja Universal merece ser apresentado aos que quiseram estar em Roma, no dia 12, o Cardeal acima mencionado presidiu a uma Eucaristia, em acção de graças pelo São Damião, santo universal para todos. Depois de o Papa ter falado em quatro línguas no dia anterior, o Cardeal não ficou atrás e dirigiu-se aos muitos que vieram de Flandres, em flamingo, aos muitos Espanhóis, em castelhano, aos da língua francesa, em francês e a todos os restantes em inglês.


O grupo que viajou desde Lisboa teve oportunidade de «sightseeing» na cidade eterna, ver o museu do Vaticano e a Capela Sistina, tendo regressou com muita satisfação. Foram três dias bem passados e vividos com bom espírito.

 


 

São Damião

 

 

 

 

Damião é uma figura mundial e é chamado Servo da Humanidade. Uma estatueta dele está no Capitólio em Washington, Estados Unidos, no meio doutras de pessoas que de uma ou outra maneira se destacaram nesse país: políticos, escritores, etc. A consciência do mundo sabe honrar gente que dedica a sua vida ao serviço do próximo. Todos nós recordamos bem a madre Teresa, já beatificada, que recebeu o prémio Nobel de Paz pela sua dedicação aos caídos – moribundos nas ruas de Bombaim, Índia, e noutras cidades. Essa nomeação mostrou essa recta consciência que o mundo guarda no melhor da sua memória. Madre Teresa venerou o Beato Damião como o seu exemplo e pediu várias vezes ao papa João Paulo II que beatificasse o Apóstolo dos Leprosos.

 

A Congregação tem-no como quem encarnou exemplarmente o carisma dela na sua vida e com uma influência mundial nos anos que seguiram à sua morte. A morte dele inflamou-a para o dar a conhecer melhor; fundou seminários com o seu nome para atrair gente nova em vários países da Europa com que cresceu muito em número de membros. O seu exemplo estimulou muitos mais para seguir o seu caminho de missionário da Boa Nova.

 

Além das festividades e das comemorações que serão organizadas em vários lados do mundo e às quais nos associaremos, muito mais importantes são as iniciativas e as acções em favor de excluídos que o testemunho do amor deste Apóstolo dos Leprosos continua a suscitar hoje. A santidade não é para ser admirada, ela só tem sentido no empenho que suscita.

No dia 15 de Abril próximo festejar-se-ão os 120 anos da morte do Damião de Veuster, em Molokai.

 

A força que lhe permitiu dar a sua vida pelos párias do seu tempo é oferecida a todos e todas que vão beber à mesma fonte que ele. Para nós, religiosas e religiosos dos Sagrados Corações, esta Fonte é a Palavra de Deus celebrada na Eucaristia.

 

Marcas da vida do Damião:

 

3 de Janeiro de 1840: nasce Joseph de Veuster em Tremelo, Flandres.

 

15 de Maio de 1858: chegada à escola secundária em Braine-le-Comte, Walónia, para aprender o francês.

 

2 de Fevereiro de 1859: entra no noviciado dos Padres dos  Sagrados Corações em Lovaina, Flandres, como “frère Damien”.

 

7 de Outubro de 1860: votos perpétuos na capela da Rue de Picpus, em

Paris, França.

 

1860 – 1863: estudos de filosofia em Paris e teologia em Lovaina, Flandres.

 

9 de Nov. de 1863: partida do porto de Bremerhaven, Alemanha, para as ilhas de Hawaii.

 

19 de Março de 1864: chegada em Honolulu, Hawaii.

 

21 de Maio de 1864: ordenação sacerdotal.

 

1864 – 1873: missionário a grande ilha de Hawaii.

 

10 de Maio de 1873: chegada à Leprosaria de Molokai.

 

Fim de 1884: ele descobre que tem lepra.

 

15 de Abril de 1889: morre.

 

1936: transladação dos restos mortais a Lovaina; o barco fez escala no porto de Horta, ilha de Faial, Açores; início do processo de beatificação.

 

7 de Julho de 1977: reconhecimento da heroicidade das suas virtudes.

 

15 de Junho de 1992: reconhecimento dum milagre atribuído à sua intercessão.

 

4 de Junho de 1995: beatificação, em Bruxelas, pelo papa João Paulo II

 

3 de Julho de 2008: reconhecimento dum milagre atribuído à sua intercessão

 

11 de Outubro de 2009: canonização, em Roma, pelo papa Bento XVI.